3 passos fundamentais para melhorar sua comunicação

Uma inquestionável verdade sobre comunicação, e que se aplica a qualquer época e cultura, está transcrita na máxima: “É impossível não se comunicar!”.

Comunicamos mensagens o tempo todo, com gestos, olhares e tom de voz. Até o silêncio comunica algo! Apesar disso, muitas vezes não somos bem-sucedidos em nossa comunicação.

Os motivos que atrapalham a comunicação são muitos. Eis alguns exemplos:

  • Falta de clareza na forma de organizar a mensagem. Este fator pode ser agravado pelo autojulgamento ou a preocupação com o julgamento dos outros. Isto bloqueia o alinhamento entre pensamento e sentimento, limita nossa comunicação e a mensagem deixa de gerar conexão;
  • Necessidade em manter um script de vida perfeita e neste cenário não cabe os sentimentos que são considerados negativos ou que podem provocar fragilidade. Como resultado há uma perda da autenticidade e a comunicação fica incompleta e pobre;
  • Desejo de dissimular o que se está sentindo. Neste caso o que se nega no plano mental acaba surgindo em comportamentos ou atitudes durante a comunicação como quando se usa a voz para escoar a raiva e se afirma que “não, não estou brigando” causando total incoerência entre conteúdo e expressão da mensagem, provocando uma fissura na relação;
  • Dificuldade em lidar com o silêncio enchendo o espaço de palavras vazias, sem entender que o silêncio é necessário para o respeito mútuo e para a elaboração de sentimentos na mensagem. Com isto fica-se na superficialidade e perde-se a oportunidade de conhecer mais profundamente aquele com o qual queremos nos comunicar;

São tantas as possibilidades de uma comunicação equivocada que nos afastamos de seu propósito fundamental: “gerar compreensão entre os homens”, como propôs Edgar Morin, filósofo, antropólogo e sociólogo, criador do conceito de Pensamento Complexo. Ou, ainda, do propósito de “gerar conexão”, como bem afirmou Marshall Rosenberg, psicólogo, criador da Comunicação Não Violenta, processo que busca criar empatia nos seres humanos.

O fato é que compreensão e conexão fazem parte de um ciclo que se retroalimenta: a compreensão gera conexão, ao passo que a conexão gera compreensão. Mas onde começa esse processo? Na consciência e na intenção de se comunicar melhor.

Existem alguns passos que podem melhorar a comunicação. No entanto, é bom saber que eles não são fáceis de realizar ou compreender, dada a cultura competitiva e beligerante a que estamos submetidos.

Com esforço, muitos tropeços e humildade para recomeçar a cada incompreensão acendida pelo calor das diferenças de percepção do mundo, podemos chegar no oásis de compreensão, aceitação e conexão com a humanidade de nosso interlocutor. E, como em todos os processos de aprendizagem da vida, o caminho se faz andando.

Confira, a seguir, os três passos que irão fortalecê-lo na jornada rumo à compreensão e ajudá-lo na hora de se comunicar!

1º passo – Elimine o julgamento que você faz sobre si mesmo e sobre as outras pessoas

Quem é muito severo consigo próprio também o será com outra pessoa. Quando criança, a autoestima pode não ter sido cultivada na família, ou a personalidade apresenta um ímpeto mais crítico. Nossa cultura também está acostumada a execrar aquilo que não está em conformidade com os padrões estabelecidos, sejam eles formas de organizações sociais, de comportamento ou estéticos.

Por vezes, o ambiente em que nos desenvolvemos não admite a diversidade de comportamento, pensamento e expressão, o que cria uma lente negativa sobre tudo o que se apresenta como diferente no mundo.

Contudo, sempre é tempo de neutralizar o “ser julgador” que temos dentro de nós. Marshall Rosenberg prega que uma boa maneira de trabalhar sobre os julgamentos é substituí-los pela observação do fato em si e, ao analisá-lo, descrever o que se vê sem atribuir um juízo de valor.

Um bom exemplo disso é descrever um comportamento que não se tolera, como chegar atrasado. Antes de imaginar que a pessoa age contra você (por exemplo: “Ele acha que não tenho mais nada para fazer. Sempre me trata como se eu fosse um zé ninguém!”), descreva o que aconteceu para si e para a pessoa: “Você está atrasado 25 minutos”, ou “Nós marcamos às 10 e você chegou às 10:25”.

Talvez essa pessoa forneça uma boa justificativa para o atraso, talvez não. Mas só o fato de você não alimentar o pensamento negativo, já facilita lidar com o acontecimento de maneira mais produtiva.

2º passo – Conheça e acolha os sentimentos

Com o início da Idade Moderna, o homem começou a nutrir um pensamento racional em contraposição ao pensamento supersticioso da Idade Média, que havia se estendido por dez séculos. René Descartes, um dos fundadores da filosofia moderna, postulou que a razão era a única base segura para o conhecimento. Não se admitia que os sentimentos pudessem ter qualquer valor nos alicerces da sociedade.

Para que prevalecesse a razão como forma de pensamento e desenvolvimento filosófico, os sentimentos foram reprimidos e os indivíduos passaram a ignorar que sentiam, dando vazão apenas ao que pensavam. Resultado: as pessoas se tornaram analfabetos emocionais, negando a si mesmas a capacidade de reconhecer e lidar com seus sentimentos.

Com o avanço da ciência, mais especificamente da Neurociência, entendeu-se que as decisões são fortemente influenciadas — ou totalmente determinadas — pelos sentimentos, os quais estão na base dos relacionamentos humanos. Dessa maneira, reconhecer, nomear e aprender a lidar com os sentimentos faz toda a diferença no processo de comunicação.

No exemplo que mencionamos anteriormente, é possível expressar o sentimento da seguinte forma: “Para mim é muito difícil aceitar o seu atraso; eu me sinto frustrado”. Essa fala seria muito diferente de “Você é um irresponsável! Estou cansado de aturar seus atrasos”, você não concorda?

3º passo – Reconheça e atenda suas necessidades; reconheça e atenda (quando possível) as necessidades alheias

Todos têm necessidades importantes a serem atendidas, entretanto, a responsabilidade de atender a elas é de quem as possui. A não ser que você seja uma criança ou um adolescente em fase de desenvolvimento, não espere que outra pessoa cuide de suas necessidades.

Assim, é fundamental perguntar-se:

  • Qual é a minha necessidade?
  • O que posso fazer para satisfazê-la?

Satisfazer a própria necessidade não é ser egoísta. Quem tem um olhar amoroso sobre si, consegue ver amorosamente o outro também. Porém, sempre é bom lembrar que nenhum homem é uma ilha, e que quando você se relaciona com outras pessoas, algumas vezes depende da ação delas para que uma necessidade seja satisfeita. Pode ser a necessidade de executar um trabalho conjunto, resolver um problema comum, criar um projeto a dois, ou simplesmente para possibilitar uma relação, seja ela familiar, social ou profissional.

Nesse caso, é essencial que a disponibilidade interna seja traduzida em ações e atitudes para que a relação se estabeleça de modo saudável para ambos os lados. Às vezes, temos a necessidade de ser ouvidos e esperamos receber uma escuta empática. Para que essa troca se concretize, entretanto, nosso interlocutor precisará estar disponível e disposto internamente.

Perceba que essa é uma via de mão dupla; em outros momentos, quem deverá ter a disponibilidade interna e demonstrá-la em ações é você!

O fato é que você só pode atender a necessidade do outro quando a sua estiver sanada. Aqui, o importante é reconhecer qual é a verdadeira necessidade e como você pode satisfazê-la sem prejudicar o outro.

No caso já citado: se uma pessoa atrasa e sua necessidade de pontualidade não é atendida, você pode, além de compartilhar seu sentimento, expressar também sua necessidade: “Olha, para mim é importante manter os acordos de horário. Gostaria de trabalhar confiando que você chegará no horário”.

Para fechar com chave de ouro, é imprescindível dar voz ao outro e perguntar: “Como você se sente em relação a isso”? Essa simples pergunta nos dá a chance de iniciar um diálogo no qual seu interlocutor poderá se posicionar e, a partir do modelo que você deu a ele, também expressar seus sentimentos e necessidades, sem julgamentos internos e externos.

A princípio este modo de comunicar pode gerar estranhamento. Não estamos acostumados a ser tão tolerantes. Contudo, é essencial ter em mente que a construção de um novo modelo de relação humana passa pela mudança na comunicação. Se você testar o passo a passo que mostramos aqui, verá como ele é eficaz e comprovará a força que ele tem para gerar compreensão e conexão!

Teresa Pesenti, é sócia fundadora da Consonante – Escola de Expressividade, empresa que ajuda pessoas e instituições a comunicar seus propósitos, ideias e ideais; fonoaudióloga, facilitadora de processos de comunicação e educadora com pós-graduação em Voz, Teatro e Metodologias Colaborativas e formação em Plasticidade Cerebral, atua há mais de 27 anos, apoiando pessoas que desejam desenvolver o protagonismo na comunicação já tendo trabalhado com mais de 5.000 profissionais entre professores, empresários, empreendedores, cantores, advogados, locutores, atores, entre outros. Acredita que a comunicação é o caminho para gerar encontros genuínos e profundos entre as pessoas.

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Comentários
  • Lucio Ernesto
    Responder

    Parabéns Teresa Pesenti pelo artigo.
    Muito bom e da vontade de por em prática.

    Gratidão Manifesto 55 pela publicação 🙂

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