As escolas incentivam a criatividade?

Como você já deve ter percebido, gostamos de falar sobre “criatividade” aqui no blog. Já exploramos, por exemplo, a relação entre a Neurociência e a criatividade e também a importância que essa competência tem para a construção do futuro. Mas você sabe por que esse assunto nos interessa tanto?

Não?

É porque sabemos que a criatividade é uma das principais competências que o ser humano pode desenvolver! Sem criatividade, nada muda, nada se transforma, nada evolui. Criatividade é a força por trás de nossa evolução enquanto espécie.

Apesar disso, vemos que nem sempre essa competência é valorizada, e que o sistema de ensino atual sufoca a criatividade infantil em vez de estimulá-la.

Você também tem essa impressão e quer saber por que? Então reserve uns minutinhos e venha conosco.

A jiboia e o elefante

Você se recorda dos primeiros parágrafos do clássico “O Pequeno Príncipe”, em que o narrador, uma criança de seis anos, desenha uma jiboia com um elefante na barriga e tem seu desenho confundido com um chapéu?

Veja o que o autor, Antoine de Saint-Exupéry, escreve sobre os adultos e as crianças:

As pessoas grandes aconselharam-me deixar de lado os desenhos de jiboias abertas ou fechadas, e dedicar-me de preferência à geografia, à história, ao cálculo, à gramática. Foi assim que abandonei, aos seis anos, uma esplêndida carreira de pintor. Eu fora desencorajado pelo insucesso do meu desenho número 1 e do meu desenho número 2. As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, estar toda hora explicando.”

Este trecho pode parecer um desabafo simples, talvez até um recurso de enredo, mas saiba que ele é bastante representativo do assunto que vamos debater a seguir: o declínio no uso da criatividade.

O declínio no uso da criatividade

Em 2006, o professor Ken Robinson defendeu, em um evento promovido pela TED Talks, que nós não ficamos mais criativos à medida que passamos da infância à adolescência e depois à fase adulta.

Pelo contrário, todas as crianças são naturalmente criativas, o que acontece é que a maioria delas perde essa capacidade ao longo dos anos.

Em outras palavras, ao invés de usarmos cada vez mais nosso potencial criativo, somos levados a abandoná-lo.

Nosso ímpeto, assim como o do narrador do Pequeno Príncipe, é questionar, descobrir, testar novos limites e abordagens.

Contudo, essa predisposição vai aos poucos sendo boicotada por anos e anos de uma padronização intelectual sob encomenda.

Do que estamos falando? Da escola. Sim, o principal responsável por esse declínio no uso da criatividade é nosso sistema de ensino, cuja origem remonta ao século XIX.

O grande problema é que ele é essencialmente focado na memorização de verdades já prontas, desestimulando, assim, o pensamento crítico, ou a noção de “eu posso fazer diferente!”.

Ciências exatas e linguagem são assuntos que têm prioridade em todos os currículos escolares, não importa o país que você visite.

Nesse esquema, as ciências humanas e as artes, essenciais para o desenvolvimento de cada individualidade e também da criatividade ficam relegadas ao segundo plano.

O resultado? Com o passar dos anos letivos, deixamos de enxergar a jiboia que engoliu um elefante e passamos a enxergar um simples chapéu. O pior? Nem nos damos conta de que isso está acontecendo.

A diferença entre teoria e prática

Mas como a escola pode ter esse impacto desfavorável em um ser humano se ela foi justamente idealizada para disseminar o conhecimento e ampliar horizontes?

Bem, na teoria, é isso que ela faz. É ela que deve nos dar os instrumentos necessários para vivermos, e não apenas existirmos, no mundo.

No entanto, na prática tudo se complica. Como já dissemos, nos quatro cantos do globo prioriza-se o ensino de matérias percebidas como “mais úteis e concretas” em detrimento de outras percebidas como “secundárias ou abstratas demais”.

Isso porque esse sistema não foi desenhado para fazer com que cada criança e jovem descubra seu potencial, e sim para criar uma espécie de padronização de conhecimento e comportamento.

Veja bem: esses assuntos “secundários ou abstratos” são justamente os estímulos necessários para desenvolver uma mente questionadora, que não se contenta com respostas prontas e busca formular as próprias verdades.

Agora preste atenção na palavra “questionadora” e veja a mágica acontecer!

O jeito como as coisas são…

Por que o céu é azul? Onde começa o vento? Qual é o gosto da chuva que cai do telhado? É comum que, ao fazer essas perguntas, as crianças recebam respostas pré-moldadas dos adultos e se acostumem com elas.

E é exatamente isso que o sistema de ensino global faz: induz o ser humano a aceitar respostas prontas e a se contentar com elas.

Não vamos para a sala de aula aprender, descobrir, desafiar, testar, mas para memorizar o que outras pessoas fizeram antes. Nesse contexto, o erro é visto e rechaçado como uma anomalia.

Contudo, grave bem: errar e tentar novamente é um processo extremamente necessário no desenvolvimento da mente criativa!

Afinal, como você vai criar algo original, algo revolucionário se não estiver disposto a errar? A falha é o tijolo que pavimenta o caminho do eventual sucesso. Sem ela, não há progresso, há apenas estagnação.

E questionar? Bem, questionar é o primeiro passo nesse processo. Questionar é o mesmo que não se contentar com “o jeito que as coisas são…”.

A manutenção do potencial criativo

Manter a capacidade de questionar, portanto, é o primeiro passo para se redescobrir como alguém criativo. Quem questiona se move, vai buscar soluções novas, inusitadas, é capaz de tentar, errar e tentar mais uma vez.

Ouviu uma informação nova? Vá pesquisar sua origem, se informe, questione, reflita; não absorva o que o mundo diz só porque os outros o fazem.

Arrisque-se a ir além do senso comum. É justamente esse comportamento que alimenta a criatividade!

Perceba o conhecimento comum como um ponto de partida. Ele pode até ensinar as regras do jogo, porém você só vai aprender a jogar quando se arriscar e aprender o que funciona para você.

Acima de tudo, não tenha medo do erro e da falha. Lembre-se: eles são etapas necessárias na busca pela originalidade!

Para finalizar nossa reflexão, convidamos você a assistir a animação “Alike” e a compartilhar conosco suas ideias e impressões aqui na caixa de comentários!

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