Como times multidisciplinares favorecem o aprendizado e a inovação

Times multidisciplinares já são prática comum no desenvolvimento de produtos digitais, mas ainda novidade em outras indústrias. Movimentos como o Ágil e as Organizações Teal têm promovido o uso de estruturas multidisciplinares, buscando potencializar o aprendizado e a inovação.

Esses movimentos colocam em cheque a prática tradicional de agregar pessoas em torno de estruturas funcionais e departamentalizadas.

O principal objetivo de um time multidisciplinar é permitir um melhor fluxo de comunicação entre especialistas de diferentes temas. As áreas de atuação envolvidas dependem do objetivo do time.

Por exemplo, em produtos digitais é comum que times multidisciplinares contenham desenvolvedores de software, designers, especialistas no negócio e testadores.

Em outros casos, um time multidisciplinar pode ser criado especificamente com o objetivo de inovar em um segmento. Poderíamos montar um time com psicólogos e economistas, por exemplo.

Apesar de serem áreas completamente diferentes (até nas suas premissas básicas e formas de ver a realidade), um grupo como este poderia dar origem a uma nova perspectiva, como a economia comportamental.

Mas por que isso acontece em times multidisciplinares, e não nos convencionais? É o que veremos a seguir.

Proximidade que gera confiança

Quando a troca de informações é entre pessoas de um mesmo grupo, que se reúnem regularmente, relações mais íntimas podem ser construídas. É diferente de encaminhar uma solicitação para uma pessoa de outro departamento através de um formulário, como acontece nas estruturas funcionais.

Além de melhorar a comunicação, a proximidade ajuda a desenvolver confiança. E com confiança conseguimos desempenhar melhor o trabalho criativo e inovar.

Essa aproximação também introduz novos desafios, como lidar com os conflitos diretamente, sem intermediários. Por isso, se você faz parte de um time multidisciplinar, talvez seja interessante você ler essas dicas para ter melhores conversas.

Motivação: um alicerce para a criatividade

Em 1943, um psicólogo e filósofo Abraham Maslow escreveu um artigo nomeado: uma teoria para a motivação humana. Nesse artigo ele também produziu um dos diagramas mais usados para entender a condição humana: a hierarquia de necessidades.

Fonte: http://anafariaspsicologa.blogspot.com/2015/11/piramide-de-maslow.html

Representada por 5 níveis, a pirâmide dita que se as necessidades mais básicas não forem supridas, as posteriores também não serão. Por exemplo, uma pessoa nunca desenvolverá um senso de segurança, se ela não tiver as suas necessidades fisiológicas, como ar, comida, água e sexo supridas.

Se você observar o que está no topo da pirâmide, verá a palavrinha mágica criatividade. Ou seja, sem confiança, respeito mútuo e autoestima é difícil desenvolver criatividade. Desta forma podemos concluir que a motivação é um fator chave para que um grupo de pessoas tenha boas ideias e crie coisas novas.

Times multidisciplinares têm maior chance de serem criativos em função do fortalecimento dos motivadores intrínsecos. Daniel Pink, em seu livro motivação 3.0, identificou que propósito, autonomia e maestria são os motivadores mais relevantes para os trabalhadores do conhecimento.

O propósito é um elemento bem presente em times multidisciplinares, porque esses grupos já são reunidos em torno de um objetivo claro. A seleção de pessoas que se conectem pessoalmente com esse objetivo, tende a potencializar ainda mais esse motivador.

Prática comum junto com a construção de times multidisciplinares, é também torná-los autogeridos. O framework Scrum, por exemplo, determina que o time de desenvolvimento deve ser multidisciplinar, pequeno e auto-organizado.

Isso significa que não existem “cargos” de chefia ou alguém responsável por coordenar o trabalho. A autogestão desperta um senso de autonomia nas pessoas, pois elas são responsáveis por si mesmas.

Todos esses fatores suportam a motivação, e por consequência aumenta as chances de times multidisciplinares serem criativos.

Aprendizado através da polinização cruzada

Outro benefício interessante dos times multidisciplinares é a polinização cruzada. Importado da biologia, esse termo diz respeito à troca de conhecimentos que acontece entre profissionais de diferentes especialidades.

No exemplo dos psicólogos e economistas, é provável que depois de um tempo trabalhando juntos, ambas as partes passem a conhecer um pouco mais do trabalho da outra.

A polinização cruzada cria uma colisão de ideias que nos faz desafiar premissas básicas da nossa visão de mundo. Economistas tendem a ver o mundo como racional.

O que isso pode afetar a visão de um psicólogo, que tende a achar que as pessoas não são racionais, devido aos seus vieses cognitivos? Esse choque de visões tem grande potencial de dar origem a novas perspectivas.

Conclusão

Apesar de times multidisciplinares serem mais propícios a formarem melhores relações e aprenderem mais com a polinização cruzada, esses efeitos não são garantidos.

É importante trabalhar nos motivadores intrínsecos, para garantir que o time tenha tudo que precisa para ser criativo e inovar. E você, já viu isso acontecendo na prática?

Comente abaixo e conte um pouco da sua experiência pra gente!

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