Empreendedorismo em rede

Empreendedorismo em rede: conexões para cocriar soluções conjuntamente

Empreendedorismo social, indústria criativa, economia compartilhada, empreendedorismo em rede, consumo e espaços colaborativos… A mudança de valores e estilo de vida das pessoas tem impulsionado diversos movimentos baseados no senso de comunidade, no ativismo social, na revalorização da criatividadena cocriação como metodologia de trabalho e no poder das redes formadas por pessoas.

A Internet possui um papel fundamental para esse processo, mediando soluções que aproximem iniciativas e indivíduos. As conexões que antes aconteciam apenas com amigos, colegas de trabalho e familiares, agora são facilmente desenvolvidas mesmo com desconhecidos que possuam objetivos partilhados.

Essa aproximação, a partir de um propósito em comum, permite que se realize ações coletivamente, sem centralizações ou procedimentos burocráticos – presencial ou mesmo virtualmente.

Um exemplo desse movimento é o empreendedorismo em rede. Por ser algo relativamente novo e que está em processo de desenvolvimento contínuo em tempo real, esse tema ainda é comumente circundado por dúvidas e inquietações.

Preparamos o artigo a seguir para ajudá-lo a criar a sua própria definição sobre o que pode ser o empreendedorismo em rede. Nele, você verá como o assunto é tratado em algumas organizações e quais são os desafios e as potencialidades inerentes à iniciativa de empreender em rede. Confira!

Paradigma da escassez x abundância

Para compreender o empreendedorismo em rede é preciso, primeiramente, entender a diferença entre o pensamento em termos de escassez e de abundância.

Desde crianças, começamos a ser programados com base no paradigma da escassez: somos informados de que não há oportunidades para todos. E para que estejamos no time dos vencedores, deveremos estar entre os melhores, entre os poucos que conseguirão conquistar seus objetivos – uma vez que isso não está ao alcance de todos.

Isso é o que Oswaldo Oliveira chama de “o jogo da escassez” e que gera pensamentos do tipo “não é possível fazer tudo”, “nem todos são capazes”, “só alguns podem ter sucesso”, “o poder precisa ser centralizado” etc. Esse “jogo” ocasiona a criação de mecanismos de seleção nas relações humanas e mesmo nas organizações. O modelo clássico de empresas hierarquizadas é um exemplo disso: nem todos aqui podem ser líderes, apenas alguns.

Dessa forma, dependendo dos arranjos realizados pelas organizações, poderá haver um cenário de escassez ou de abundância. É importante salientar que o sistema é, naturalmente, abundante; o estado natural das coisas tende à abundância, com todos conectados em rede – não há organograma para que a vida funcione. Portanto, conforme Oswaldo Oliveira afirmou no TEDxFloripa “nós somos os introdutores da escassez para nós mesmos”. Assim, nós é que criamos a escassez, eliminando ou restringindo conexões ao criar estruturas organizacionais hierarquizadas, que trabalham com prioridades, centralização de conhecimento, decisões e poder.

Cocriação e empreendedorismo em rede

Para iniciarmos a conversa, podemos dizer que o empreendedorismo em rede acontece quando diversas pessoas trabalham juntas de modo colaborativo com um propósito em comum, cocriando soluções. Significa também conectar indivíduos para realizar ações visando o alcance de objetivos compartilhados, aplicando na prática o pensamento de abundância de ideias, oportunidades e conexões.

Nesse modelo, o pensamento da escassez não tem vez, não há hierarquias e a burocracia não engessa processos, inibindo a criatividade. Não há núcleos, centralizações e jogos de poder. Em seu lugar, há distribuição, multilideranças e cocriação que gera liberdade criativa. Aqui, as pessoas não competem entre si, mas são potenciais parceiras para a realização de projetos.

Nas palavras do consultor Augusto de Franco, os empreendimentos em rede são “ecologias de diferenças coligadas”. Ele resume a questão afirmando que “empreender em rede não é fazer uma nova empresa e sim criar um ambiente favorável ao surgimento de muitas enterprises sinérgicas e sintonizadas com um determinado conjunto de temas que levou pessoas a desejarem fazer certas coisas juntas”.

Ao empreender em rede não se busca encontrar um nicho que ninguém descobriu ainda (como ocorre na estratégia do oceano azul, por exemplo), mas conectar ideais e iniciativas que já existam para cocriar soluções que só possam ser desenvolvidas em conjunto.

Um exemplo de empreendedorismo em rede é a Jornada da Autenticidade, iniciativa desenvolvida a partir da cocriação entre a Manifesto 55 e diversas outras organizações e indivíduos. O objetivo? Criar conjuntamente um curso que abordesse as diversas nuanças da autenticidade.

Desafios do empreendedorismo em rede

Oswaldo Oliveira argumenta, ainda, que o ideal para viver com abundância é termos uma rede distribuída sem ponto central ou um núcleo de poder. Esse é o grande desafio para muitos empreendedores, que tendem a pensar que os problemas complexos exigem controle, centralização e organização para serem resolvidos. Ao contrário disso, as redes apontam para o caminho da cocriação, visando a soluções mais sustentáveis, pensadas em conjunto. Portanto, um dos grandes desafios é resistir à tentação de organizar as pessoas em grupos e de ter um escolhido para liderar e controlar a rede.

Nesse sentido, a figura do líder-herói (no fenômeno conhecimento como heropreneurship), ideal de tantos empreendedores, que imaginam que para causar impacto social precisam ter uma grande ideia, que só poderia ser inventada por eles, perde a vez.

No empreendedorismo em rede, a liderança é lateral, lidera-se sem poder ou imposições, mas a partir da negociação, e as soluções são cocriadas.

Ao empreender é comum o questionamento quanto às garantias da iniciativa. Esse é outro desafio e paradigma que precisa ser alterado para se empreender em rede: aqui, não há reais garantias, mas apostas baseadas na confiança e nos propósitos partilhados.

Em um cenário de escassez, tudo comumente ocorre em ambientes pré-configurados, com papéis e limitações estipulados. Para superar esse paradigma e ter acesso a um cenário de abrangência, por meio do empreendedorismo em rede, é preciso romper essa configuração padrão e reconfigurá-la, empoderando os participantes, incentivando o pensamento criativo, a cocriação e a liderança compartilhada.

No empreendedorismo em rede cada integrante é um nodo da rede e cada nodo representa um potencial criativo e participativo, compondo uma organização que só existe por meio dessa colaboração.

O empreendedorismo em rede gera uma economia em rede distribuída. Que tal, em 2019, fazer parte dessa mudança?

Você ficou com alguma dúvida ou inquietação sobre o empreendedorismo em rede? Deixe seu comentário para que possamos interagir e construir conjuntamente novos conhecimentos sobre o tema!

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