Entenda quais os principais problemas no modelo educacional atual

Em 2006, Sir Ken Robinson, proeminente autor e educador britânico, lançou um questionamento importante sobre o atual modelo educacional. Desde então, sua palestra “As escolas matam a criatividade?” foi assistida mais de 50 milhões de vezes e pavimentou o caminho para conferências similares na plataforma TED Talks.

Aqui no blog, já chegamos à conclusão de que as escolas não incentivam a criatividade. Pelo contrário, elas fazem com que as crianças parem de enxergar jiboias engolindo elefantes e passem a enxergar meros chapéus!

Mas o que exatamente está errado com nosso sistema de ensino? Quais são os erros cometidos pelas instituições que deveriam justamente abrir possibilidades e caminhos e estimular o pensamento crítico e a autonomia?

É o que vamos desvendar hoje. Acompanhe!

1. Valores e práticas da Revolução Industrial

Você já parou para pensar que a escola não está acompanhando o ritmo das transformações da era pós-digital? Parece que ela até muda, mas a passos lentos e apenas superficialmente. Sua essência continua a mesma!

Isso acontece porque o modelo educacional que conhecemos ainda segue princípios e valores cunhados lá atrás, no já longínquo século 18. Sua prática é construída a partir da obediência a instruções, da ênfase em determinadas disciplinas, de uma hierarquia espacial e de um progresso mecânico e padronizado.

Nesse contexto, o pensamento crítico e independente, as relações interpessoais, a proatividade e a curiosidade são completamente desestimuladas. “Abram seus livros na página 44”, “Terminem o exercício até o final da aula”, “A resposta está errada”, “Joana tirou 10 porque se comportou”, “Mateus decorou a tabuada e passou na prova”.

Quantas vezes você já vivenciou situações como essas? Muitas, certo?

2. Falta de autonomia

Em uma sala de aula tradicional, o aluno é completamente desprovido de autonomia e controle sobre sua rotina. Sua experiência é ditada pelas disciplinas, pelo sinal, pelo relógio e pelos códigos de conduta próprios desse ambiente.

Todos sabemos que grande parte do sucesso em nossa vida adulta se deve à capacidade de priorizar tarefas, organizar compromissos e fazer a gestão do tempo que temos disponível. A habilidade de tomar decisões, por exemplo, é fundamental na condução de nossos interesses e afazeres.

Porém na escola, nenhuma dessas habilidades é ensinada, treinada ou sequer estimulada. Os estudantes têm horários e cronogramas fixos a despeito de suas preferências, de suas ideias, e de seu ritmo de aprendizagem.

A mensagem é clara: “Você não está no controle de sua vida. Apenas aceite e siga o que é dado.”

3. Aprendizagem não autêntica

Podemos dizer que a aprendizagem que acontece nas escolas atualmente não é autêntica e nem real. Sabe por quê? Porque ela parte da memorização de conceitos muitas vezes irrelevantes para a realidade do aluno, quando não da pura e simples “decoreba”.

Em grande medida, podemos dizer que ela não ocorre. Se um aluno não está engajado com algo significativo para sua vida, para seu contexto, se não está construindo seu próprio conhecimento, camada por camada, mas apenas gravando frases e fórmulas nas quais não vê sentido algum, ele não está de fato aprendendo.

O professor pode até estar cumprindo seu papel e despejando as informações que constam no currículo, mas certamente não há aprendizagem. Resultado? A maior parte do que é “armazenado” é esquecido tão logo a pressão da prova, do vestibular, do simulado passe.

A aprendizagem só acontece quando há troca, vivência e construção!

4. A padronização do conhecimento

No modelo educacional que vemos nas escolas hoje, cada criança e jovem é obrigado a memorizar o mesmo conteúdo, ao mesmo tempo, na mesma proporção que todas as outras. Há uma padronização não só de pensamento e comportamento, mas também de conhecimento, do que é considerado válido e do que não é.

Essa lógica contradiz o fato mais básico a respeito do ser humano: cada um de nós é único, tem necessidades diferentes e nutre interesses e curiosidades específicos.

Procedendo dessa forma, o sistema de ensino boicota o potencial de milhões de estudantes por ano e faz com que eles ignorem questionamentos importantes como:

  • No que eu sou bom/boa?
  • O que amo fazer?
  • O que quero fazer?

5. As diferenças na aprendizagem

Além de termos interesses distintos, também temos ritmos de aprendizagem distintos.

Essas flutuações são completamente ignoradas pela padronização que acontece nas escolas, e muitas crianças acabam fixando para “trás”, quando tudo que precisam para progredir é um pouco mais de tempo e estímulos diferenciados.

Ano após ano, muito potencial é desperdiçado e milhões de estudantes são levados a acreditar que não são capazes ou que não se esforçaram o suficiente.

6. Aula monólogo

Em cada escola do país e na maior parte das instituições de ensino do globo, os estudantes passam no mínimo cinco horas por dia ouvindo o professor falar. Não há espaço para o diálogo nesse modelo educacional, nem para a construção conjunta de um conhecimento palpável. Não há experimentação, apenas doutrinas e regras.

Os alunos são, na maioria das situações, tratados como receptáculos vazios nos quais é preciso despejar uma quantidade pré-estipulada de informações. O professor ocupa uma posição hierarquicamente superior e, aos alunos, cabe ouvi-lo.

Algumas pessoas, de fato, têm facilidade de gravar informações ao ouvi-las, mas e quanto ao restante? E o espaço da prática, da interação e da cooperação? E quanto às experiências; essas, sim, grandes educadoras?

Com o avanço da tecnologia, temos uma profusão cada vez maior de hardwares e softwares capazes de maximizar a aprendizagem e possibilitar novas formas de aprender. Contudo, muitos educadores, escolas e vertentes mais tradicionais optam por não utilizá-los, por medo de perder o controle sobre seu corpo estudantil.

Mas como quebrar esse paradigma?

Se você nos acompanhou até aqui, deve estar se perguntando “Mas como quebrar esse paradigma?

Bem, lembre-se de que estamos falando de todo um sistema educacional, não somente brasileiro, mas global. Então você já pode imaginar que não existe uma receita de bolo.

Tenha em mente que há anos essa temática é debatida e, devemos reconhecer, algum progresso já foi feito. No entanto, há um longo caminho a percorrer.

Aqui no blog, nos comprometemos a pesquisar e a trazer os mais significativos e inspiradores materiais, vídeos e reflexões sobre o tema, como os 11 insights para planejar aulas inovadoras!

Outra opção é buscar referências sobre regiões e instituições que conseguiram desconstruir esse sistema mecânico em prol de uma versão mais humanizada. A Finlândia é um bom começo. Você conhece as inovações implementadas na educação desse país? E em Singapura? Já ouviu falar do método Montessori? E no método Waldorf?

Tendo acesso à internet, você tem a faca e o queijo na mão! Ao invés de ficar dissecando a Linha do Tempo do Facebook, busque aprender mais sobre a revolução na educação em plataformas como a TED Talks e a Khan Academy. Depois, volte aqui e compartilhe com a gente seus pensamentos e percepções!

Juntos, podemos construir uma educação mais holística e humana!

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