Facilitação de grupo e aversão a dinâmicas

Você já passou por um momento em que o facilitador diz “agora vamos fazer uma dinâmica” e metade do grupo começa a sentir calafrios? Essa aversão a dinâmicas está constantemente presente em momentos de facilitação, como reuniões ou até mesmo na sala de aula.

Pode ser que você, caro leitor, seja uma dessas pessoas que possui o que nós chamamos de “dinâmicofobia”. Mas estamos aqui pra te dizer que isso tem cura! Brincadeiras à parte, dinâmicas são muito efetivas e têm potencial transformador, desde que bem aplicadas e compreendidas.

Vamos juntos aprender mais sobre essa ferramenta? Então segue a leitura, e você será capaz de mudar sua visão sobre as dinâmicas de grupo!

Por que fazer dinâmicas?

A dinâmica é, em sua mais pura e simples forma, uma experiência vivida por um grupo de pessoas. Mas não se engane, pois dinâmicas não se resumem a essa definição. Quando utilizadas nos momentos certos, trazem resultados e reflexões impossíveis de alcançar em outros contextos.

Afinal, dinâmicas são simulações da vida real que nos ajudam a simplificar cenários complexos. Desse modo, é possível trazer um novo olhar para essas situações, muitas vezes de forma lúdica, mas sempre de forma inovadora e criativa. 

Uma dinâmica que propõe a construção conjunta de algo utilizando peças de Lego, por exemplo, auxilia a observar o trabalho em equipe e a comunicação entre os participantes. Outro exemplo é realizar dinâmicas em que é necessário completar tarefas em grupo e não é permitido falar uns com os outros. Realizar desafios em silêncio mostra a importância da comunicação em um grupo.

Tenha foco na intenção da dinâmica

É importante entender que dinâmicas devem ser feitas desde que tenham intenções claras. Muitos facilitadores fazem dinâmicas de grupo “só por fazer”, e não planejam bem as reflexões, o que pode intensificar a aversão à momentos como esses.

Dinâmicas trazem muitas coisas à superfície, como problemas, 

conflitos, mal-entendidos, problemas de comunicação, necessidades, frustrações… muito mais do que apenas observar como cada indivíduo trabalha em grupo. Esses momentos também refletem em como cada pessoa 

trabalha consigo mesma, como apresenta suas qualidades e habilidades ao grupo, e como lida com suas dificuldades e desafios internos e externos.

Dinâmicas podem apontar falhas, como na comunicação, no entendimento e empatia com o outro, falhas de organização e processos.

Faça, mas também reflita!

A reflexão após uma dinâmica é tão importante quanto ela própria, desde que exista intenção e entrega para interpretar a situação vivida. Os insumos que surgem após momentos de dinâmica em grupo podem ser uma virada de chave. Podem auxiliar uma equipe que enfrenta muitos conflitos internos a compreender que é necessário mudar certas atitudes, como trabalhar escuta ativa e exercitar a empatia, por exemplo.

Neste momento, é muito importante que o facilitador permita que o grupo chegue sozinho em suas conclusões. Afinal, esse é um dos papéis do facilitador. Permita que o grupo te surpreenda com seus insights e com os caminhos que os participantes decidem seguir para chegar a uma resposta. E lembre-se: não existem respostas certas ou erradas.

Veja que existem dois momentos diferentes: a reflexão e a generalização. No momento da reflexão uma das questões principais é “o que aconteceu?” e na generalização “o que podemos aprender com isso na vida real?”. É nosso processo de aprendizagem: experimentamos algo, refletimos sobre aquilo, criamos conceitos e aplicamos esses conceitos para testar e verificar, e assim por diante. Abordamos esse assunto no blog com o artigo “Aprendizagem experiencial – Por que é tão importante para adultos?”.

Eu não gosto de dinâmicas de grupo, e agora?

Já parou para pensar no que te faz ter rejeição ao processo? Quem sabe uma experiência frustrada, uma dinâmica feita no momento errado… Seja você o facilitador ou o participante, em ambos os casos a aversão às dinâmicas ocorre principalmente pela falta de clareza sobre os resultados que podem ser trazidos para o grupo através dessa ferramenta, por sentir vergonha ou até mesmo por bloqueios criativos.

E a partir do momento que os participantes não entendem os motivos para participarem daquele momento juntos, é criada uma espécie de barreira. Na prática da facilitação, esse bloqueio pode afetar o funcionamento e até o resultado da dinâmica, visto que estas exigem certa abertura dos participantes para a experiência ser mais rica.

Brené Brown trata sobre a vergonha e o medo de se expor em um Ted Talk, mostrando como a vulnerabilidade não é uma fraqueza, mas sim uma força. Confira abaixo:

Como fazer dinâmicas sem medo?

Se você é o facilitador

É importante ficar atento na intenção que você vai colocar e a clareza no momento da dinâmica. Dedique tempo para explicar ao grupo como será conduzido o momento, abra espaço para dúvidas, escreva as instruções em um flipchart e deixe claro as intenções da dinâmica a ser feita. Não antecipe as reflexões, pois estas serão trazidas pelos próprios participantes.

Preste muita atenção na preparação dos processos de grupo. Preocupe-se com número de pessoas presentes. Dependendo da dinâmica que você deseja realizar, o tamanho do grupo pode afetar o resultado e funcionamento dela, faça essa análise! Isso porque caso seja um grupo muito pequeno ou muito grande, talvez faça mais sentido adaptar ou escolher outra ferramenta.

Outro ponto bem importante: antes de construir o processo, saiba onde está o grupo no seu processo de desenvolvimento. Entenda mais sobre processos de grupo e engajamento nesse artigo do nosso blog, sobre 6 maneiras de engajar sua equipe

Quando o momento é com uma equipe de trabalho, ou de indivíduos que já se conhecem, pode ser mais desafiador criar um ambiente seguro para realizar certas dinâmicas, visto que podem trazer assuntos delicados, e muitas vezes imprevisíveis, à superfície.

Também é importante deixar claro como é possível tirar aprendizado a partir da dinâmica, seguido de um bom fechamento. Caso não se sinta confortável, comece com dinâmicas mais simples. Um exemplo é convidar o grupo a caminhar pela sala, formar duplas e desenhar a pessoa em sua frente sem olhar no papel, mas sim nos olhos do outro.

Se você é participante

Em primeiro lugar, lembre-se que é possível aprender com toda e qualquer experiência, dependendo da intenção do momento.

Está com medo? Tente entender por que está sentindo medo. Talvez você não queira se expor na frente do grupo? Não gosta de perder o controle da situação? Ou gostaria de saber exatamente o que vai acontecer? Isso também faz parte da dinâmica e especialmente da reflexão que vem logo depois.

Então siga aquele famoso incentivo e “vai com medo mesmo”. Dinâmicas de grupo podem colocá-lo fora da sua zona de conforto, mas encare isso como algo positivo! Entenda que você está diante de uma oportunidade única de se desafiar e de aprender muito. E o mais rico dessa experiência é que você vai aprender coletivamente com a dinâmica. Confie no processo e no facilitador para criar um ambiente seguro.

E lembre-se que, caso você não se sinta confortável o suficiente para participar de algum momento da dinâmica, não tenha medo de demonstrar vulnerabilidade e converse com o facilitador sobre o que sente.

Dinâmicas são ferramentas muito utilizadas em processos de grupo, mas são apenas uma pequena parte do universo da facilitação. Por isso criamos a Escola de Facilitadores, para desenvolver todos os lados da facilitação e trazer cada vez mais ferramentas e conhecimento para quem facilita ou tem interesse em facilitar. Que tal entrar no nosso site e conhecer um pouco mais?

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