Facilitação – Um processo para desenvolver a Sabedoria Coletiva!

Imagine toda tecnologia que temos a serviço da comunicação, do trabalho, da educação, da gestão de empresas e instituições.

Porém mesmo com todas as condições e análise de dados, Business Intelligence, Big Data, diagnósticos, prognósticos econômicos e sociais estamos fundamentados em um modelo de gestão e decisão centralizado no EU e não no NÓS.

Nos últimos três anos venho estudando métodos de integração de pessoas e dinâmicas de grupos que auxiliam na construção coletiva para tomada de decisões, criação de projetos e otimização de tempo.

Motivado a entender mais sobre a cultura dos Brasileiros, marcada por muita  iniciativa e pouca acabativa, identifiquei alguns fatores que alimentam nosso comportamento.

A miscigenação cultural, um território muito grande, a colonização fundamentada no extrativismo, o clima tropical e a desconexão com a cultura indígena são alguns fatores que me fazem acreditar em uma evolução enquanto sociedade organizada lenta e silenciosa no Brasil.

Mas mesmo com um ambiente pouco fértil para o trabalho coletivo escolhi o desafio profissional de trabalhar com grupos dos mais diversos perfis e apresentar o que chamo de “Tecnologia Social” capaz de auxiliar a condução de processos de cocriação onde todos que participam são corresponsáveis pelo resultado gerado.

Parece um tanto complexo mas convido você a entender um pouco mais sobre a facilitação e perceber como todos nós podemos desenvolver essa habilidade e aplicar em diversas situações. Ao longo deste artigo irei destacar algumas competências básicas para quem busca ser um bom facilitador.

Quando minha consciência se ampliou para todos os processos e relacionamentos colaborativos comecei a buscar metodologias e ferramentas que me auxiliassem no desenvolvimento de  novas competências enquanto consultor.

Cursei um MBA de Gestão de Pessoas e Liderança Coaching, fiz minha formação e Coaching pela SBC\BR, adquiri muitos livros como design thinking, canvas, lean e tantas outras metodologias que foram agregando a minha caixa de ferramentas.

Mas assim como um bom carpinteiro, mestre de obras ou padeiro, as ferramentas se tornaram apenas o apoio para poder construir ou preparar processo realmente centrados em grupos e pessoas.

ATUALIZAR E MANTER O CONHECIMENTO PROFISSIONAL

Dentro desta competência o facilitador busca constante atualização do seu conhecimento, diversificando, adquirindo e aperfeiçoando seus métodos de facilitação e a fim de manter sua postura profissional.

 

Para a condução de processos de grupo um bom facilitador incentiva a participação de todos, enquanto gerencia a tendência de alguns membros do grupo dominarem a conversa.

Eles criam as condições que sustentam a contribuição daqueles que tradicionalmente dizem muito pouco e daqueles cujos pontos de vista divergem dos líderes ou da maioria.

A participação plena, combinada com a escuta respeitosa, dá ao grupo uma compreensão mais completa dos pontos de vista na sala e uma melhor chance de alcançar uma decisão sustentável.

É fundamental um acordo de convivência inicial e que fique visível durante todo processo para que o grupo esteja alinhado e coeso criando um ambiente horizontal e criativo.

ORGANIZAR PROCESSOS DE GRUPO

É preciso uma análise prévia das necessidades da atividade e selecionar métodos e processos claros que levem em consideração tempo e espaço para as atividades do grupo e as entregas do trabalho.

 

Para quem já teve alguma experiência em atividades em grupo sabe o quanto é difícil a participação de todos, basta lembrar os trabalhos em grupo na escola ou faculdade, “o CDF faz o trabalho e depois vai o nome de todos”.

Mas na construção destes processos uma das premissas fundamentais é que todos tenham voz e vez e que sigam as orientações do facilitador mantendo um ambiente participativo e extremamente colaborativo.

Uma das premissas que gosto de firmar com os grupos é a Lei dos dois Pés, que diz: Se vocês está em um ambiente onde você não está ensinando ou contribuindo pegue os seus dois pés e vá para outro lugar. Normalmente isso ajuda as pessoas a se permitirem construir um ambiente mais aberto e colaborativo.

ORIENTAR O GRUPO PARA RESULTADOS ÚTEIS E ADEQUADOS

Guiar o grupo com métodos e processos claros facilita a autoconsciência do grupo perante as tarefas e para o consenso e resultados coletivos desejados.

 

Uma das habilidades que mais pratico durante uma sessão de facilitação é a empatia. E para que possa ser realmente natural é fundamental que esteja em um estado presente durante todo o processo, atento aos movimentos do grupo e a todas respostas e dúvidas que podem surgir individualmente.

Em certa oportunidade facilitei uma sessão de em uma empresa e ao final do processo, um grupo de cerca de dez pessoas, haviam criado um propósito para a elaboração de um projeto de inovação, o resultado do trabalho foi a construção de uma frase que agradou a todos que ali estavam.

Em meio a toda euforia perguntei ao grupo se poderíamos chamar alguém externo ao nosso ambiente para apresentar e todos concordaram.

Por força do destino abrimos a porta e passava um rapaz que a fisionomia lembrava muito Jesus Cristo, logo apelidei ele assim para que ele pudesse ser acolhido pelo grupo de forma carinhosa.

Entre risadas e brincadeiras expliquei  ele o processo que havíamos passado e que apresentaríamos uma frase de propósito para um projeto e gostaríamos de saber se fazia sentido para ele.

Ao fazer a leitura da frase olhei para ele e em meio a seus pensamentos quando ele responde: “Mas isso não tem nada de novo aqui na empresa, só resume o que já fazemos!”.

De pronto o grupo quis iniciar uma explicação mais fundamentada sobre o conceito, mas interrompi antes mesmo da primeira frase e disse, se o que criamos aqui dentro não for entendido por todos lá fora nossa energia não terá sido bem empregada.

O grupo entendeu que é fundamental validar as ideias inicialmente, pois se o projeto já tivesse sido elaborado poderíamos ter uma grande chance de cometer alguns erros básicos aos olhos da empresa.

A validação possibilitou aprofundarmos mais a essência do projeto e melhorar a frase que acabou se transformando em um manifesto pela inovação.

CRIAR RELAÇÕES DE PARCERIA COM O CLIENTE

Desenvolver parcerias de trabalho, desenhar e customizar intervenções para satisfazer as necessidades do cliente e gerir eficazmente as sessões.

 

Reunir pessoas, seja face a face ou para uma reunião virtual, tem um custo real. O tempo desperdiçado em reuniões improdutivas mata a moral e impede os participantes de cumprir suas outras responsabilidades.

Um facilitador profissional pode ajudar o grupo a realizar mais em menos tempo, eliminando a necessidade de reuniões múltiplas e gerando impulso imediato sobre as questões em discussão.

Depois de obter todo o espectro de pontos de vista e receber opiniões fortes, o facilitador incentiva o grupo a gerar soluções criativas anteriormente não consideradas e capazes de resolver diferenças aparentes.

O grupo é capaz de elaborar acordos que todos os membros possam apoiar e avançar com um senso de propriedade compartilhada. Dentre algumas das ferramentas que uso desenvolvi uma que chamo de Estressando a Sofrência, onde conduzo algumas reflexões de forma propositiva e que possamos deixar para trás qualquer trauma ou reclamação de pessoas ou problemas e transformá-los em insumo para criar novas oportunidades.

CRIAR E SUSTENTAR UM AMBIENTE PARTICIPATIVO

Demonstrar competências de comunicação interpessoal e participativa, honre e reconheça a diversidade, assegurando a inclusão, esteja atendo para gerir algum conflito no grupo e estimule a criatividade do grupo.

 

Os facilitadores desempenham um papel imparcial ao ajudar os grupos a tornarem-se mais eficazes. Eles deixam de lado suas opiniões pessoais e apoiam um grupo em fazer suas próprias escolhas. Os facilitadores atuam como guias de processo e criam um equilíbrio entre garantir a participação individual e produzir resultados significativos.

Acredito que para a condução de uma sessão é fundamental que o facilitador possa exercitar a escuta ativa e o não julgamento a qualquer situação, sendo fundamental o seu estado pleno ao presente e a sensibilidade aos movimentos do grupo e de cada participante.

MODELAR UMA ATITUDE PROFISSIONAL POSITIVA

Praticar a auto avaliação e a autoconsciência, agir com integridade, confiar no potencial do grupo e modelar a neutralidade.

 

Quando usar um facilitador?

Aqui estão alguns casos em que o uso da facilitação profissional produzirá melhores resultados.

  • Deverão ser tomadas decisões importantes
  • O grupo é grande, diverso e / ou em conflito
  • As questões em discussão são complexas e não há ninguém, claro “resposta correta”
  • A implementação bem-sucedida de um plano requer o consentimento informado e o apoio ativo das principais partes interessadas
  • Existe a necessidade de otimizar o uso do tempo e energia do grupo

 

Muitas vezes, as seguintes situações são instâncias em que a facilitação profissional será inestimável:

  • Planejamento estratégico
  • Avaliação e avaliação interna do projeto
  • Transformação de conflitos
  • Consultas com parceiros ou públicos diversos
  • Colaboração transdisciplinar
  • Fórum, conferência ou simpósio
  • Reuniões do conselho
  • Reuniões de pessoal e retiros
  • Reuniões do governo local ou da comunidade

 

Espero ter contribuído para que você possa entender um pouco mais o que é a facilitação e como ela pode ser aplicada em diversas situações, mas gostaria de destacar ainda porque eu acredito no Poder da Facilitação.

Acredito que todos temos inteligência e somos capazes de desenvolver a consciência coletiva, mas a facilitação desenvolve o empoderamento para a Sabedoria Coletiva, por isso tenho me dedicado a aprender cada vez mais e aplicado a facilitação em projetos temáticos como: Inovação, Educação, Cultura, Valorização da Vida (Redução dos índices de suicídio!), união de instituições, planejamento de entidades empresariais e qualquer tipo de chamamento que faça meu coração bater mais forte.

Hoje sou membro da IAF – International Association of Facilitators, entidade que tem como propósito disseminar mundo a fora o que é possível ser feito por meio da facilitação, entre seus membros existem diversos cases onde a facilitação ajudou empresas a solucionar conflitos, governos a construírem novas leis e tantas outras intervenções coletivas. Uma boa parte da fundamentação de conteúdo deste artigo vem desta entidade.

Por fim quero deixar uma mensagem de otimismo para você leitor, acredito no Brasil e no povo Brasileiro, acredito que somos capazes de transformar nosso país por meio da Sabedoria Coletiva e da corresponsabilidade, acredito que se em cada bairro, cidade ou estado tivermos a atuação de facilitadores profissionais poderemos juntos construir e transformar nossa realidade.

“Não use velhos mapas para descobrir novas terras.”

Gary Hamel

 

Referências: IAF-WORLD

Criado em 2017, o SIG IAF – Facilitação em Português tem como missão sensibilizar para o poder da facilitação, criar e desenvolver uma comunidade de facilitadores em língua portuguesa, independentemente da sua localização, do setor de negócio e área de atuação. Somos uma equipe de entusiastas pela arte da facilitação com experiências diversificadas, de vários países de língua portuguesa.

 

Nós temos uma ferramenta de facilitação e mapeamento para melhorar a abordagem de líderes com grupos. Conheça nosso Equalizador de Liderança e Facilitação, acesse e baixe gratuitamente!

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