Inteligência emocional deveria ser ensinada nas escolas?

Você consegue imaginar como seria sua vida se na escola houvesse uma matéria dedicada a explicar quais são e para que servem as emoções humanas?

Você consegue se imaginar tendo os instrumentos certos para identificar e lidar com seus sentimentos desde a infância?

Não é exagero dizer que, caso isso acontecesse, nossa jornada individual e coletiva teria menos percalços, você não concorda?

Então, fica a reflexão: se passamos a vida nos aperfeiçoando intelectualmente, por que não somos encorajados a nos desenvolver emocionalmente, se este aspecto é tão importante quanto aquele?

Aprender a identificar e a lidar com as emoções que afloram é desenvolver o que o psicólogo norte-americano Daniel Goleman chamou de inteligência emocional. Você já deve ter ouvido falar do conceito.

Em nosso artigo de hoje, veremos porque é uma boa ideia ensinar inteligência emocional na escola.

Boa leitura!

A inteligência emocional, por Daniel Goleman

Daniel Goleman argumentou, em seu livro Inteligência Emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente, que o termo “emoção” vem do latim emotere, cujo significado literal é “mover-se”. As emoções humanas seriam, portanto, impulsos para ação.

A partir dessa concepção, Goleman explora as diferentes emoções — raiva, medo, amor, felicidade etc. — e as correlaciona como determinadas ações, como se cada emoção estivesse ligada a um impulso específico.

Essa tendência está ligada à nossa experiência coletiva como espécie. Acha que não?

Pois pense nos primeiros hominídeos da Pré-História: o medo e o ímpeto de fugir ou de se esconder de predadores representou, por milhares de anos, a sobrevivência.

Tais impulsos ficaram registrados em nosso cérebro por meio da carga genética passada de geração em geração.

Milênios depois, na era da informação e do “homem que sabe”, as emoções ainda são parte essencial de nossa vida.

Elas influenciam a forma como priorizamos nossos compromissos, nossa tomada de decisão e, de fato, toda a nossa experiência no mundo.

O resultado da negligência prolongada das emoções

O problema está em nossa falta de reconhecimento do papel que as emoções desempenham em nossa existência. Hoje, sabemos que é fundamental nos especializarmos em um campo de conhecimento para podermos atingir nosso potencial e termos uma vida plena, feliz.

Passamos horas, dias, meses, anos e décadas estudando um assunto, lapidando nosso aparato cognitivo com esse propósito.

Contudo, são poucas as pessoas que dedicam alguns instantes de seu dia para fazer uma autorreflexão e questionar o que estão sentindo.

De fato, a maioria dos sentimentos flutuam sem sequer serem identificados pelos indivíduos que os experimentam e convivem com eles.

O resultado? Emoções reprimidas, estresse acumulado, escolhas equivocadas, síndromes e a esmagadora sensação de estar perdido no meio do caos interno e externo.

A herança positivista na educação

Isso acontece majoritariamente porque nós, seres humanos, só prestamos atenção em nossos sentimentos quando estamos prestes a explodir ou quando o limite da normalidade é violado.

Antes disso, todos os sutis (ou nem-tão-sutis-assim) sinais que poderiam evitar uma catástrofe emocional são ignorados.

Não aprendemos a identificar as emoções assim como aprendemos a identificar as partes de corpo humano. Fígado, rins e pulmões têm sua função e anatomia discutida em sala de aula, mas que professor fala de sentimentos?

Amor, ciúme, ansiedade, surpresa, nojo, tristeza, amizade, apreço; quem nos ensina a entendê-los e a agir em relação a eles da melhor maneira possível?

Essa negligência crônica em relação aos sentimentos é herdeira da tradição positivista que influenciou nossa sociedade e nossa educação a partir do século XIX.

Filosofia divulgada pelo pensador Augusto Comte, o positivismo é baseado no empirismo e rejeita tudo o que é relativo à introspecção.

Muita coisa mudou desde o século XIX, mas nosso sistema educacional ainda obedece a regras e padrões estabelecidos nesse período.

Espera-se, por exemplo, que aprendamos a lidar com o turbilhão interno de emoções que habita cada um de nós sem nunca falarmos diretamente dele.

Espera-se que a inteligência emocional simplesmente brote, sem a mínima instrução ou aperfeiçoamento.

Muitos pais e professores coíbem, se não explicitamente, de forma implícita, seus alunos e filhos a falarem sobre suas emoções, suas dores e suas alegrias.

É como se, de fato, não houvesse lugar para as emoções, embora todos estejam carecas de saber que sim, elas existem, que, sim, elas têm um impacto profundo em nosso cotidiano e em nossa existência.

A consequência lógica disso é que vivemos em uma sociedade emocionalmente analfabeta.

Inteligência emocional nas escolas? Sim, por favor!

Seria bastante proveitoso para todos, portanto, se as escolas dedicassem pelo menos uma hora por semana para falar abertamente com as crianças e jovens sobre as emoções que fazem parte de seu dia a dia.

Podemos chamar essa iniciativa de alfabetização emocional, tão necessária pra uma vida plena quanto a alfabetização linguística.

A prática do bullying, por exemplo, é um distúrbio que traz consequências duradouras tanto para quem o pratica, quanto para quem sofre.

Na grande maioria das vezes, a educação emocional poderia reverter esse quadro que, cada vez mais, torna-se lugar comum nas escolas e até no ambiente corporativo.

Ensinar sobre inteligência emocional nas escolas seria um antídoto poderoso para essa tendência socialmente destrutiva, assim como a alfabetização e a leitura são os antídotos para o analfabetismo.

E veja bem: o analfabetismo linguístico é uma condição problema porque impede a cidadania, ao passo que o analfabetismo emocional impede relacionamentos interpessoais saudáveis, comprometendo todo o tecido social.

De dentro para fora

Apesar de ainda não termos uma disciplina dedicada à inteligência emocional, iniciativas isoladas buscam preencher essa lacuna e ensinar crianças, jovens e adultos a lidar com suas emoções.

Um exemplo é a adoção de práticas como a Yoga para ajudar os alunos a manter a serenidade em momentos desafiadores e a ser mais responsáveis por suas ações.

O método foi implementado em escolas norte-americanas e já ganha adeptos no mundo todo!

Outra iniciativa nesse sentido é a animação Inside Out, produzida pela Pixar e traduzida para o português como Divertida Mente.

O longa metragem, que estreou por aqui em 2015, mostra a protagonista Riley experimentando sentimentos conflitantes sobre os últimos acontecimentos de sua vida, como alegria, medo, raiva, nojo e tristeza.

O grande diferencial é ensinar que as memórias são fixadas pelas emoções e que não há um sentimento melhor que o outro; todos são válidas expressões da psique humana.

E você, o que pensa da inteligência emocional nas escolas? Conhece outra fonte que aborde o tema? Se sim, compartilhe conosco aqui na caixa de comentários. Nosso objetivo é trabalhar para um mundo emocionalmente inteligente e equilibrado!

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