Liderança distribuída – como desenvolver em sua organização

Nem sempre quando pensamos em “chefe”, pensamos em “líder”. Ocupar uma posição de chefia é um status que não necessariamente emana da liderança, mas da hierarquização dentro de uma empresa. É por isso que muitos chefes — senão a maioria — deixa a desejar em quesitos que os verdadeiros líderes tiram de letra.

A partir dessa distinção, gostaríamos de falar, hoje, sobre liderança distribuída. Já ouviu falar nesse conceito? Conhece seus benefícios?

Veremos como construir um ambiente fértil para que esse tipo de liderança brote naturalmente em uma organização.

Vamos começar!

A liderança distribuída

Para entender liderança distribuída, imagine um ambiente organizacional tradicional, em formato de pirâmide, no qual a liderança se concentra no topo. Cargos de confiança, gerenciais e de direção são sinalizações de que determinadas pessoas estão posicionadas hierarquicamente acima do restante.

Nesse contexto, novas lideranças nem sempre encontram o espaço e o estímulo necessário para se desenvolver, pois a maioria dos colaboradores tem sua voz subordinada à de seu superior imediato.

Mas e se a organização se parece mais com um ecossistema, ou com uma rede, do que com uma pirâmide? Nesses casos, a liderança se manifesta não de forma hierárquica e determinista, mas de forma distribuída, orgânica.

Cria-se um ambiente de colaboração, propício ao emprego da criatividade, à autonomia; um ambiente no qual é possível questionar o poder e como ele é utilizado.

Para que a liderança distribuída se manifeste, contudo, é essencial que algumas iniciativas sejam tomadas, e tendências comportamentais estabelecidas.

Quer conhecê-las? Então continue lendo!

1. A autoliderança

Se um ambiente propício foi preparado, a liderança distribuída tende a florescer. Tenha em mente, no entanto, que o primeiro passo é liderar a si mesmo.

Para poder gerenciar uma equipe de colaboradores de forma a estimular a liderança distribuída e participativa, é necessário saber se autoliderar. Afinal de contas, como você pode trazer o equilíbrio para outras pessoas quando se sente imerso em desequilíbrio?

Ser capaz de se autoliderar engloba, por exemplo, enxergar e executar as tarefas de forma autônoma e proativa, gerenciar o próprio tempo, saber priorizar demandas e estabelecer limites saudáveis entre trabalho e vida pessoal. Esses são os primeiros passos no caminho da autoliderança.

Também é preciso ter assertividade o suficiente para que tanto seu “sim” quanto seu “não” sejam significativos e respeitados pela organização. Além de saber colaborar, comunicar ideias e impasses e seguir a liderança alheia.

Tenha em mente que uma autoliderança habilidosa e consciente é um elemento-chave na construção dos outros tipos de liderança.

2. O processo de facilitação

Na liderança distribuída, quando você lidera outras pessoas, você está na verdade “facilitando” o processo de ascensão delas.

Você se engaja em sistemas e processos que estimulam a distribuição de poder, que possibilitam sua democratização. Você se preocupa em garantir que todos tenham voz, e que possa haver diálogo sobre as decisões, evitando que elas sejam unilaterais.

Facilitadores compreendem as diferenças entre os colaboradores, seu potencial e interesses e agem de forma a acomodar e valorizar as forças de cada um. O resultado desse processo? Um ambiente seguro e receptivo, no qual outros colaboradores possam também liderar e superar suas fraquezas.

O facilitador transforma, acima de tudo, feedbacks em insumos para o crescimento constante dos membros do time. Nesse ambiente, não há coerção, e sim consenso e colaboração.

3. A distribuição da liderança

Para que um ambiente sem hierarquia seja bem-sucedido, é preciso a todo momento despertar novas lideranças. O objetivo aqui é, de fato, encontrar formas de distribuir o poder e facilitar a ascensão de líderes, de tal maneira que eventualmente sua atuação como líder se torne obsoleta.

Já ouviu aquele ensinamento de que todo bom mestre precisa pavimentar o caminho para que, um dia, seu discípulo o ultrapasse?

Se você já assistiu Star Wars, deve lembrar que na trilogia inicial e nas subsequentes Luke Skywalker aprende isso ao longo de sua jornada. Todos os mestres da trama o fazem.

Mesmo naqueles momentos em que você sente que faria melhor e mais rápido, você abre espaço para que outros executem as atividades, a fim de permitir que eles desenvolvam suas próprias soluções. Seu trabalho é encontrar as alavancas certas para favorecer essa manifestação de alternativas.

Aliás, vale notar: é essencial ter em mente que outras pessoas podem elaborar e apresentar soluções e métodos tão bons quanto os seus!

Na liderança distribuída, você estará sempre em busca de neutralizar barreiras e criar pontes de contato e comunicação entre as pessoas, os departamentos e as equipes. A todo momento surge o questionamento: “O que é possível fazer para que as pessoas contribuam e prosperem nesse ambiente?”

Lembre-se: se o poder e as oportunidades de desenvolvimento não estiverem acessíveis a todos, as sementes da liderança distribuída não estarão sendo devidamente regadas e cuidadas.

4. Ecossistema

Se você se engaja em todos esses níveis de liderança e pensa em seus impactos fora da organização, a nível de comunidade, você está cultivando não somente um ambiente, mas um todo ecossistema de liderança de mudança.

Você entrou em um nível de reestruturação do sistema e está disposto a combater velhas práticas que culminam com o desperdício sistemático de potencial.

Você, aqui, está no topo, mas não no sentido de uma hierarquia estagnada. Você dita tendências e reforma paradigmas obsoletos no intuito de democratizar o poder!

Quais são os formatos e regras que permitem esse tipo de interação entre diferentes redes e ambientes? O que possibilita à organização olhar para fora de si e enxergar possibilidades de diálogo e colaboração? Como engajar grupos em uma construção significativa, valorizando a diversidade de ideias, identidades e culturas?

Você, nesse ponto, alcançou uma visão holística da organização e das pessoas que nela atuam.

Semeando a prosperidade e o empoderamento

Todas as pessoas e organizações engajadas em cultivar a liderança distribuída não o fazem do dia para a noite. Trata-se de um processo de autoconhecimento e de tomada de consciência.

Primeiro, é preciso preparar o terreno para que esse tipo de liderança floresça. Depois, é fundamental conscientizar os participantes de que os níveis que aqui listamos não necessariamente representam uma evolução linear.

Pelo contrário: normalmente, agimos em todos esses níveis ao mesmo tempo. Tudo vai depender do contexto organizacional, do desafio, da situação.

Seres humanos são orgânicos, então esse tipo de upgrade no sistema acontece aos poucos, a partir da interação entre pessoas e ideias. A chave é o constante aprendizado e a consciência das sementes que estão sendo cultivadas.

Sentindo-se inspirado por esta reflexão? Então faça um autoexame e liste em quais desses níveis você normalmente opera, e o que pode fazer para facilitar a liderança distribuída em seu ambiente de trabalho.

Não esqueça de voltar aqui e comentar conosco suas conclusões!

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