Ouvidos 2 x Boca 1: por que escutar antes de falar faz toda a diferença ao contar uma história?

por Olavo Pereira Oliveira – Narrative

Imagine a seguinte situação: está ocorrendo um evento com funcionários de uma empresa e esse é o momento do discurso do presidente. Você está ao lado da porta de entrada e um funcionário que acaba de chegar te faz uma pergunta: “Em que momento estamos?”.

Você acredita que sua resposta se pareceria mais com:

(A) O presidente está falando aos funcionários.

(B) Os funcionários estão ouvindo o presidente.

Essa não é uma avaliação do nível de engajamento da sua empresa, e sim de como nossa percepção sobre o ato de se expressar tende a se concentrar mais em quem está falando do que em quem está ouvindo.

É provável que sua resposta tenha sido mais próxima de A do que B. E tudo bem! Nossa sociedade foi historicamente orientada a valorizar mais os papéis ativos do que os receptivos. Mesmo que fisiologicamente sejamos seres com dois ouvidos e só uma boca.

Storytelling x Storylistening

Não é diferente com o Storytelling, o ato de contar histórias que vem sendo cada vez mais difundido no ambiente de trabalho. Há muitas técnicas voltadas àpreparação de discursos e da performance do orador para reuniões, apresentações e eventos.

Por outro lado, é menos abordada a importância de escutar bem o interlocutor antes de se posicionar. Como diz John Maeda no vídeo a seguir (em inglês), antes do Storytelling, por que não pensar em Storylistening?

Exercitando nossa capacidade de escutar

Essa é uma questão fundamental do nosso tempo. Já imaginou quantos bate-bocas improdutivos seriam trocados por conversas construtivas se exercitássemos nossa capacidade de escutar antes de já querer argumentar? Por consequência, conseguiríamos resolver juntos muito mais conflitos.

Por isso, a escuta é uma capacidade tão valorizada em líderes de equipes e pode estar presente não apenas em reuniões de cocriação, por exemplo, mas até mesmo antes de se desenvolver uma narrativa.

Afinal, toda narrativa verdadeira, que busque explorar o sentido mais profundo daquilo que será comunicado, vai partir de perguntas. O poder das perguntas nos leva a explorar as intenções e necessidades expressas naquilo que, por exemplo, a equipe manifesta. Afinal, hoje em dia, as narrativas nascem de inúmeros lugares, e não apenas do nosso ponto de vista.

Precisamos buscar entender melhor coisas como: o que a pessoa quis dizer com isso? Por que expressou isso dessa forma? 

Para além da escuta externa, precisamos desenvolver também a habilidade de escuta interna, buscando entender, por exemplo: por que me senti dessa forma com o que a pessoa me disse? O que me incomoda? O que me alegra?

Aprenda a utilizar o seu Google interno

Nós já estamos habituado a perguntar coisas para o Google. Mas todos nascemos com uma ferramenta de busca interna que às vezes fica meio de lado, na disputa de atenção com as questões externas.

A essa ferramenta poderosa eu chamo de Google interno. Para ela, a gente pode perguntar, antes de fazer uma comunicação, coisas como: Qual é a minha intenção ao trazer esse assunto? Que motivação tenho para compartilhar isso? Que desafios enfrento com a equipe? Que impacto quero provocar? Por quê?

Os resultados dessa busca podem revelar coisas que nunca encontramos sobre a gente em uma pesquisa no Google de verdade. Podem revelar novas dimensões sobre a gente e sobre como lidamos com determinadas questões. Acima de tudo, podem revelar incoerências e vulnerabilidades sobre nós mesmos.

Pode parecer que não, mas para um líder, se mostrar vulnerável, tem um grande valor. Ao se expressar em uma narrativa menos como o herói da história e mais como um protagonista com virtudes e defeitos, o líder eleva o potencial de se conectar com as pessoas a um nível mais profundo, emocional.

Portanto, antes de querer ser carismático ao falar em público, seja empático. Escute os outros e, principalmente, escute a si mesmo. Pergunte-se. Explore-se. Em suas vulnerabilidades, podem morar grandes forças.

* Jornalista e cineasta com experiência em comunicação corporativa, criando e cocriando narrativas que expressem a autenticidade de pessoas e empresas. É criador do método O Mapa da Narrativa para construção de narrativas verdadeiras.

Encontre mais sobre o Olavo em www.narrative.com.br.

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