Pensamento Visual

Pensamento visual: o poder de registrar ideias de forma criativa

O pensamento visual já foi trabalhado até por Confúcio, famoso filósofo chinês que viveu entre 552 e 479 a.C. Ele acreditava no poder da comunicação por meio das imagens, e ele é o autor da famosa expressão “uma imagem vale mais do que mil palavras”. O significado desse ditado já é um indicativo da facilidade de aprendizado a partir do uso de recursos visuais e de como pode ser mais fácil explicar algo utilizando imagens.

Se há 2.500 anos já existia essa percepção, ela é ainda mais forte nos dias de hoje. Um exemplo disso é o fenômeno atual das redes sociais. De acordo com pesquisa publicada pela eMarketer, 75% do conteúdo postado no Facebook é constituído por fotos. A mesma pesquisa mostra que as imagens também são o tipo mais envolvente de conteúdo, alcançando 87% das interações dos usuários. Não é à toa que redes sociais que focam no visual, como Instagram e Pinterest, fazem tanto sucesso.

Trazendo essa discussão para as organizações, é importante lembrar de que a criatividade é a competência número 1 para o século XXI.

Muito mais do que comunicar visualmente também é importante pensar criativamente. Por que não utilizar seu lado mais criativo do cérebro para pensar e expressar suas ideias visualmente?

Desenhando negócios

O segredo para manter negócios sustentáveis e competitivos é a habilidade de seus líderes em propor novas soluções para antigos paradigmas, encontrando soluções criativas e viáveis. Saiba que é possível fazer isso de um modo lúdico e bastante assertivo: desenhando!

Você não precisa ser um grande desenhista para comunicar suas ideias visualmente. Apenas utilizando formas simples como círculos e setas é possível desenhar ideias. É o que mostra o livro “Desenhando Negócios”, de Dan Roam. Neste best-seller internacional, que revolucionou os conceitos de aprendizagem ao demonstrar que todos podemos utilizar as ferramentas de pensamento visual, Roam ensina os poderes benéficos de pensar e de se expressar visualmente, e mostra como isso nos ajuda a resolver os problemas mais variados ou mesmo vender ideias.

Conforme Roam, essa ferramenta é fundamental para a aprendizagem, uma vez que “não há maneira mais convincente de provar que conhecemos bem alguma coisa do que fazer um desenho simples do tema em questão. E não há modo mais impactante de enxergar soluções ocultas do que pegar uma caneta e desenhar algumas figuras relacionadas ao problema.”

Todos nascemos visuais

Algumas pessoas ainda acreditam que não é possível resolver problemas ou demonstrar efetivamente ideias complexas por meio de desenhos. Isso ocorre, muitas vezes, por elas não estarem seguras e convencidas sobre sua capacidade de desenhar e, uma vez que acham que não possuem essa habilidade, concluem que não são capazes de esboçar soluções visualmente. Essa conclusão não está correta.

Todos nascemos visuais e passamos boa parte de nosso tempo pensando visualmente – nossas lembranças, desejos, planejamentos, é comum que sejam esboçados de modo visual e não textual em nossa mente – se você ainda tem dúvidas, saiba que quase 50% de nosso cérebro envolve-se em nossas atividades de processamento visual e 70% de nossos receptores sensoriais estão em nossos olhos.

 

Pensamento visual

Sobre o pensamento visual
O pensamento visual, ou visual thinking, é uma forma de organizar seus pensamentos, expandir seu repertório e melhorar sua capacidade de se comunicar. Ele permite fazer algo que o texto linear não nos possibilita. No entanto, o pensamento visual não significa a ausência de palavras. A união de texto e imagens ajuda na criação de um significado.

Você pode começar a pensar visualmente desenhando gráficos, diagramas, redes, linhas. Mapas mentais também são uma ótima maneira de pensar e comunicar visualmente. Não ficou bom o primeiro desenho? Não se preocupe, esse é só o seu primeiro rascunho. Continue olhando, imaginando e ajustando até obter a forma desejada e conseguir comunicar uma ideia com ela.

Lembre-se: para aplicar o pensamento visual, o mais importante não é ter talento nato para o desenho, o mais importante é conseguir desenvolver seu poder de síntese. Esse processo não inicia quando você pega o papel e a caneta, mas, sim, quando você abre seus olhos, percebe padrões, tem a ciência das partes necessárias para demonstrar seu pensamento. Aí, então, é que você começará, de fato, a desenhar.

Etapas do pensamento visual

  • Olhar (coletar e filtrar): colete todas as informações que puder, faça uma primeira avaliação e uma “triagem visual”.
  • Ver (selecionar e agrupar): selecione as informações que merecem atenção e reconheça padrões como objetos, seres, quantidades, espaços, tempo, causa, efeito ou motivos.
  • Imaginar (enxergar o que não está visível): manipule as informações, altere o óbvio e pense como você irá apresentar sua ideia.
  • Comunicar (tornar tudo mais claro): resuma tudo, encontre a melhor estrutura e realce o que viu.

Essas etapas nem sempre são lineares. O importante é que você utilize sempre os 4 estágios básicos: olhe de modo completo para o que quer comunicar, veja esse assunto em profundidade, encontrando padrões, imagine o que falta em seu quebra-cabeça, uma solução que não seja a mais óbvia e, então, comunique sua ideia visualmente.

Se você fizer isso, pode ter certeza de que seu desenho cumprirá seu objetivo e comunicará a ideia desejada, sendo compreendido muito mais facilmente do que se você tivesse elaborado um texto longo e complexo sobre o tema.

Dica: veja mais detalhes sobre todo o processo do pensamento visual neste vídeo.

O pensamento visual e a facilitação

Quando abordamos o pensamento visual e as ferramentas de facilitação gráfica ou registro gráfico, falamos sobre o desafio encontrado entre os dois últimos passos desse processo (imaginar e comunicar). Muitas pessoas apresentam dificuldade para comunicar uma ideia complexa de modo simples de entender, sem perder sua profundidade. Muitas vezes, a comunicação é ou muito simples (e perde a profundidade) ou muito profunda, ficando difícil de o interlocutor entendê-la.

Saiba que mesmo com formas gráficas básicas, é possível comunicar ideias complexas, registrar e organizar informações de um jeito simples e profundo ao mesmo tempo. O visual thinking é uma excelente ferramenta de facilitação da aprendizagem, uma vez que o processo de pensar visualmente e de comunicar ideias de modo visual facilita nosso entendimento.

Para ilustrar isso, pense em quanto tempo um estudante leva para compreender o sentido de um texto. Ele precisará, ao menos, ler seus títulos, introdução e conclusão, encontrar palavras-chave… Agora, saiba que em menos de 1/10 de segundo é possível obter o sentido de uma cena visual e que, conforme dados, nosso cérebro processa 60.000 vezes mais rápido elementos visuais do que os textuais. Além disso, comprovadamente, o desempenho dos alunos é melhor quando contam em sala de aula com recursos visuais.

Se cerca de 65% da população aprende melhor visualmente, então por que não utilizar recursos visuais para facilitação em organizações e na sala de aula? Conheça mais sobre nosso curso Potencial Criativo e desenvolva suas habilidades!

Comentários (2)

  • Realmente, somos muito mais visuais do que abstratos e a negação do desenvolvimento desta habilidade no sistema educacional ratifica os resultados ruins que são obtidos. Metodologias apoiadas no pensamento visual potencializam a performance dos nosso alunos, assegurando melhor rendimento escolar, maior longevidade, retenção do conhecimento construído em ambientes educacionais.

    • Oi Melquíades, obrigado pelo comentário. Resultados ruins na educação brasileira são decorrentes de múltiplos fatores, e embora o pensamento visual não resolva tudo, vemos acontecer na prática um melhor desempenho, aprendizagem, e mais importante, a manutenção/valorização da criatividade das crianças a medida que elas crescem, para que possam continuar criativas assim enquanto adultas. Forte abraço!

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