Florentine Versteeg-VedanaFacilitadora do Caos

FLORENTINE, A SONHADORA INQUIETA

Eu sonhava em salvar o mundo. De minha casa, na Holanda, nas Bahamas, ou de volta à Holanda, via que o caminho mais rápido para isso era estudar Relações Internacionais. Lá, o que mais me encantou foi participar de simulações de reuniões diplomáticas da ONU, atuando em resoluções de conflitos e negociações.

Ao mesmo tempo, me desencantei. Via pessoas representando papéis, bandeiras, ideologias, países, e se identificando tanto com isso, que deixavam de lado sua humanidade.Eu via muitos americanos, holandeses, ocidentais, orientais, islâmicos, judeus. Porém, não via as pessoas. Ali, caiu minha primeira ficha: desse jeito, não ia conseguir salvar o mundo. Mas vi uma saída quando me envolvi com a AIESEC, a maior organização de estudantes universitários do mundo. Lá, me inscrevi para participar de um projeto social que envolvia morar na Nigéria por 6 meses, trabalhando voluntariamente com comunidades locais.

Passado o primeiro mês na Nigéria, caiu minha segunda ficha: o mundo não pode ser salvo.

Essa frustração me revelou que o único mundo que eu tinha poder de salvar era o meu próprio. E que isso não ia acontecer de uma só vez, mas aos poucos, conexão por conexão. Me dei conta de que, na verdade, isso já estava acontecendo na minha vida. Desde os meus 11 anos eu atuava na CISV, uma organização internacional que promove educação de paz intercultural para crianças e jovens, na qual participei de tudo, de acampante, organizadora de acampamentos, treinadora de organizadores, até a diretoria internacional.

Nessa rede, sempre busquei interações multiculturais com pessoas das mais diversas experiências se encontrando na humanidade em comum a todos nós. Nesse lugar em que todo mundo é anônimo. Sem nacionalidade, raça, bandeira. Levei isso comigo para a faculdade, para a AIESEC e para o Global Reporting Initiative, meu primeiro e último “emprego”, onde também fui criar a conexão que mudaria minha vida, com um anônimo que, meses depois, ia voltar para seu país de origem, o Brasil. Me encantei pela ideia de encontrá-lo por lá algum tempo depois, assim como sempre me encantou a ideia de sair viajando pelo mundo.

Mas minha viagem no Brasil foi empreender. Fui acolhida pelo Impact Hub São Paulo, onde encontrei um espaço para arriscar, e lá empreendi com outros colegas a Hub Escola. Depois empreendi um novo espaço para o Impact Hub, na Vila Madalena. E entre acertos, erros e aprendizados que só o risco proporciona, parti para uma nova grande e audaciosa empreitada: ser mãe e me mudar para Floripa.

Sete anos depois, posso dizer que viajei muito sem ir a muitos lugares. E foi aí que caiu a minha terceira ficha: dá para viajar o mundo fazendo o mundo vir até mim, anfitriando um espaço onde as pessoas possam se conectar.