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Nova liderança: gestão de processo versus gestão de resultados

Durante nossos cursos é muito comum ouvirmos relatos como “mas o chefe está precisando de um resultado e temos um prazo apertado, não tenho tempo para ouvir todo mundo” ou “os alunos têm de aprender esta matéria até a próxima prova, mas não temos tempo para eles mergulharem de forma mais ativa no conteúdo”.

Parece que a “síndrome do coelho branco” atingiu a todos nós. Em Alice no País das Maravilhas, este personagem está sempre com pressa, correndo, olhando para o relógio e gritando “Oh, meu Deus! Oh, meu Deus! Vou chegar tarde! É tarde, é tarde, é tarde!”.

Vivemos em um mundo apressado, totalmente focado em resultados. Em resultados rápidos, que fique bem claro! Tempo é dinheiro, prazos são para ontem e todo mundo está com muita pressa nessa sociedade endemicamente acelerada.

São tantos problemas urgentes que ninguém sabe mais qual deles precisa ser resolvido primeiro. Nos tornamos escravos do presente. Vivemos na urgência do momento. Estamos ansiosos por colecionar resultados. Desorientados, muitas vezes perdemos a capacidade de planejar processos e fazer as devidas concessões em busca de um bom resultado no médio ou no longo prazo.

Essa cultura do imediatismo é percebida não apenas na sala de aula ou no mundo dos negócios, como também na esfera política, ambiental e até social. É comum alguém dizer “quero perder 10 quilos”, quando deveria dizer “vou ter uma vida mais saudável, comer menos açúcar e praticar algum esporte 3 vezes por semana”, por exemplo.

Veja, no artigo de hoje, como essa cultura está impactando os ambientes organizacionais e escolares e entenda o embate entre a gestão de processo versus a gestão de resultados. Ao final da leitura, você poderá ver como um foco nos processos pode ajudar a sua organização. Vamos lá?

A emergência de uma nova liderança focada na gestão de processo

O mantra que deveria ser recitado pelos novos líderes é a expressão “às vezes o caminho é a meta”. Muitas vezes, o líder esquece de olhar para os processos que são utilizados para alcançar os resultados, antes de estipular um prazo. A nova liderança tem mais a ver com olhar melhor para o seu grupo, para o propósito, e pensar bem no ‘como’.

Aquilo que é feito mais rápido não tem tempo para ouvir a opinião de todos os envolvidos, discutir dúvidas e gerar um maior envolvimento e engajamento da equipe. O espaço para cocriar soluções é muito limitado. A meta até pode ser alcançada mas ao custo de atrapalharmos a sustentabilidade, o engajamento, o senso de propriedade da equipe, o entendimento mais profundo dos alunos quanto aos conteúdos vistos em sala de aula, a resiliência e a efetividade desse resultado.

O grande desafio dos processos é que eles levam tempo para serem implementados, podendo levar meses, trimestres ou mesmo anos. Hoje a maioria das pessoas pensa não ter todo esse tempo disponível. Dessa forma, tentamos “corrigir” o processo, promovendo atalhos para chegar mais rápido no resultado.

O problema é que esses atalhos geram processos incompletos ou mesmo ausentes ou ineficientes, tendo um potencial para o surgimento de novos problemas, gerando angústia com uma equipe estagnada no mesmo lugar.

No curto prazo, até podemos criar produtos que geram valor para nossos clientes. Entretanto, será no longo prazo que ganharemos com o crescimento de nossos sistemas, melhorando continuamente nossos processos.

Estar focado em atingir um determinado objetivo é bom. O problema é estar emocionalmente ligado ao resultado. É muito comum o sentimento de frustração e de decepção quando o resultado fica aquém do que foi imaginado ou até mesmo por não ter sido alcançado mais rapidamente. Às vezes jogamos a toalha para perseguir outro resultado que parece ser mais fácil de ser alcançado e em menor tempo.

Quando utilizamos o processo certo, o resultado virá automaticamente

Como em qualquer resultado, sempre haverá um processo para você chegar lá, o que demanda certos conhecimentos e habilidades. Muitas vezes a equipe precisa aprender e dominar novos processos, ou mesmo ir com a cara e a coragem na base da tentativa e do erro. O que algumas pessoas não entendem é que ao conquistarmos o domínio do processo, é possível alcançar os resultados mais facilmente. A pessoa que está menos ligado ao resultado é a que está mais propensa a alcançar o resultado.

O primeiro passo para uma nova liderança é ter empatia para com sua equipe, identificando os valores pessoais, as habilidades e as dificuldades de cada um. O líder precisa ser paciente e buscar envolver a equipe no domínio do processo, propondo métodos inovadores de realizar as tarefas e tornado o trabalho mais atrativo, o que proporciona mais satisfação e empenho em todos os envolvidos.

O novo líder também deve oferecer a oportunidade para que sua equipe trabalhe com criatividade, sem muitas regras limitantes impostas. Sempre deve estar disposto a dar e receber feedback, estimulando o debate e a inovação de processos para alcançar os objetivos traçados.

Por fim, deve existir a consciência de que o fracasso também faz parte do processo, pois só não erra quem não faz e não fazer é o maior erro quando se quer (e precisa) inovar. É responsabilidade do líder sempre se manter motivado, resistente à frustração e saber persistir nos objetivos.

Hoje, o tempo parece ser mais um recurso monetarizado em uma sociedade que valoriza tanto a velocidade, assim, se não se está produzindo resultados, se está perdendo. É preciso mudar essa equação  e dar um peso maior ao ‘como’, ao processo que será utilizado para conquistar esses resultados.

Está na hora de percebermos a relatividade do tempo e que nossos relógios podem ser tão flexíveis quanto aqueles pintados por Salvador Dalí. A nova liderança possui o desafio de vencer essa visão mecanicista encontrada nas organizações e em salas de aulas mais tradicionais e ajudar as equipes a desenvolverem-se e a alcançarem o fluxo, cocriando soluções sustentáveis de modo natural.

Pronto para focar na gestão de processos? Quais são suas principais dificuldades para alcançar seus objetivos? Tem alguma experiência de gestão de processo versus gestão de resultados? Compartilhe conosco nos comentários!

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