Uma das polarizações mais comuns e mal trabalhadas nas organizações é a da inovação x tradição.
A palavra tradição pode soar fora de contexto, mas ela simplesmente reflete a cultura de qualquer organização. O que são “tradições” senão aquilo que ninguém mexe, muda ou questiona?
Você já deve ter ouvido a máxima “não se mexe em time que está ganhando”, certo? Ela é sintomática de ambientes em que a tradição é valorizada e em que se busca sempre o mesmo, busca-se a estabilidade e a previsibilidade. Ou fazer mais utilizando menos recursos, o que acaba interferindo na criação e na propagação de uma cultura mais aberta à inovação.
No artigo de hoje, falaremos sobre essa polarização entre inovar e manter a tradição e discutiremos qual é o papel das lideranças nesse cenário.
A polarização inovação x tradição
O dilema entre a inovação e a tradição está presente não apenas nas organizações e escolas, mas também em nossas atividades cotidianas. É só pensar nas vezes que fomos criticados por termos adotado um novo estilo de vida ou mudamos de opinião sobre determinado tema. Muitas vezes a inovação é vista como uma traição às nossas “raízes”.
No entretenimento, o mesmo conceito está presente. Veja o exemplo do DJ holandês Tiësto. Apesar de ser considerado o melhor de música trance do mundo, ele foi tido como traidor por seus fãs mais apegados. Isso ocorreu simplesmente por ele ter alterado sua música para um estilo mais progressivo, o house. Apesar das críticas, hoje, ele é uma referência no novo estilo.
Em seu livro A alma imoral, o rabino Nilton Bonder explora essa polaridade entre moralidade e imoralidade, tradição e traição. O corpo (representado pelos bens materiais e físicos da organização) busca a tradição, a manutenção dos processos e dos resultados. Já a alma (as vontades e os anseios coletivos mais profundos) busca a inovação.
Para o rabino, o homem que se mantém acomodado é um traidor e o homem que rompe com tudo, também será um traidor. A solução de Nilton? É fazer o que achar melhor pra si próprio.
Devemos sempre caminhar para não ficarmos paralisados pelo medo de errar. Não há caminho para trás, então, é pela transgressão que o homem se faz conhecedor e desbravador da sua essência.
Como lidar com a polaridade e inovar: qual é o papel da liderança?
Nascemos com uma ferramenta essencial para lidar com a polaridade, incentivando a colaboração e o aprendizado: a empatia.
Quando conseguimos nos conectar com as outras pessoas, temos o impulso de acolher o sofrimento alheio. Queremos fazer do problema do outro nosso problema e, juntos, superamos as adversidades.
O papel da liderança é cada vez mais lidar com ambiguidades, com incertezas, em um mundo complexo e polarizado. O novo líder deve ouvir mais do que falar.
Além disso, o líder deve saber fazer boas perguntas. Ele também precisa criar um espaço seguro para que a equipe tenha confiança para arriscar. É incumbência dele, ainda, promover laços de confiança dentro do time. A conformidade precisa ser deixada de lado e a diversidade torna-se um dos grandes motores para a criatividade e a inovação.
A Gestão das Polaridades
O “Pensamento em Polaridades” foi desenvolvido por Barry Johnson, PhD em Desenvolvimento Organizacional. Ele permite tomar a consciência de que as polaridades não são um problema, e dessa forma, não são passíveis de solução e nunca deixam de existir.
O empreendedor e educador Guilherme Sarkis descreve o sistema desenvolvido por Barry, e chama isso de Gestão de Polaridades. O sistema é dividido em cinco passos. Ele permite equilibrar as realidades opostas, fazendo com que os envolvidos se beneficiem dessa diversidade, ao invés de deixar que os conflitos coloquem tudo a perder. Conheça, a seguir, os passos propostos pela Gestão de Polaridades:
1º passo
Nivelar o conhecimento de todos, garantindo que todos os membros da equipe são tratados com neutralidade, sem dar importância maior ou menor a ninguém.
2º passo
Mapear os aspectos positivos e negativos de cada um, deixando-se sempre o volume de informação em equilíbrio.
3º passo
Procure perceber a frequência com que a equipe se beneficia dos aspectos positivos. Além disso, é importante identificar com que frequência ela é bloqueada pelos negativos.
4º passo
Estudar as causas que conduzem a equipe a experimentar excessos e quais são as consequências disto.
5º passo
Promover um plano de ação para manter o equilíbrio e ativar os elementos favoráveis das polaridades.
Como qualquer ferramenta, para realmente trazer resultados a Gestão de Polaridades, precisa ser integrada à cultura da organização, fazendo parte de sua rotina.
A empatia faz parte do desenvolvimento das novas competências do século XXI, sempre conhecendo, refletindo e adaptando-se à realidade profissional. Entretanto, ter apenas a diversidade não é garantia de inovação. A promoção da dinâmica entre os membros da equipe é que terá papel fundamental na capacidade efetiva de inovar.
E você, vive essa polarização dentro da sua escola ou organização? Tem dificuldades em liderar ou ser liderado nesses momentos? Converse conosco, e converse com sua equipe sobre isso!
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